Definição estendida
Estratificação Q1/Q2/Q3/Q4 é a classificação de periódicos em quatro quartis dentro de uma área temática, baseada na ordenação por uma métrica bibliométrica subjacente — JIF, SJR ou CiteScore. Q1 reúne os 25% de periódicos mais bem ranqueados na categoria; Q2 o segundo quartil (entre 25% e 50%); Q3 entre 50% e 75%; Q4 os 25% mais baixos. A categoria temática é definida pela base que origina a métrica: Web of Science Categories para JIF, Scopus Subject Areas para SJR e CiteScore. Como categorias diferem entre bases, o mesmo periódico pode aparecer em quartis distintos conforme a fonte; e dentro da mesma base, periódicos multi-área podem ter quartis diferentes em categorias diferentes. A estratificação substituiu, em boa parte da prática editorial e de avaliação institucional, o uso da métrica numérica bruta — porque permite comparação relativa dentro de área sem a falsa precisão de comparar números absolutos.
Quando se aplica
Estratificação Q1-Q4 é o critério padrão em sistemas de avaliação acadêmica em muitos países: financiadores europeus, agências de avaliação institucional (ANVUR italiana, ANECA espanhola), agências de fomento. No Brasil, o Qualis CAPES tem lógica similar mas categorias próprias (A1-C). Pesquisadores usam quartil para selecionar periódicos-alvo: Q1 para máxima visibilidade e prestígio, Q2-Q3 como alternativas estratégicas com menor competição. Universidades usam quartil em decisões de progressão e em rankings institucionais. Bibliométricas profissionais reportam quartil sempre acompanhando o número absoluto.
Quando NÃO se aplica
Não se aplica para comparar prestígio entre áreas — periódico Q1 em humanidades e Q1 em biomedicina têm cargas de citação radicalmente diferentes em valor absoluto. Não substitui análise editorial qualitativa do periódico (escopo, tempo de revisão, política editorial, audiência). Para periódicos novos ou em áreas pequenas, o quartil pode oscilar dramaticamente ano a ano por causa de poucos pares de comparação. Não se aplica como sinal de qualidade individual de artigo — distribuição de citações dentro de qualquer Q1 é ainda assimétrica. DORA (2012) e CoARA (2022) recomendam que quartil não seja critério único em decisões de carreira.
Aplicações por área
— Avaliação institucional: maior parte dos sistemas universitários hoje exige Q1/Q2 para promoção ou progressão. — Editais de fomento: muitas agências exigem ou priorizam publicações em Q1. — Estratégia de submissão: seleção de periódico-alvo em fase de planejamento; conjunto de Q2-Q3 como segunda opção em caso de rejeição em Q1. — Bibliometria: quartil é eixo padrão em mapeamento de produção institucional ou nacional.
Armadilhas comuns
A primeira armadilha é confundir quartil entre bases — Q1 SJR, Q1 JIF e Q1 CiteScore não são equivalentes; o mesmo periódico pode estar em Q1 numa base e Q2 em outra. A segunda é ignorar categoria multi-área: muitos periódicos estão em duas ou três categorias e têm quartil diferente em cada — usar a melhor para autopromoção e a pior para crítica é viés discutível. A terceira é tratar Q1 como certificado de qualidade individual; é sinal estatístico de revista, não de artigo. A quarta é não considerar movimento longitudinal: revista que era Q1 há 5 anos pode ter caído para Q3 — a métrica vale para o ano de publicação, não para o ano da consulta. A quinta é privilegiar Q1 em todas as situações: em campos onde Q2 é o teto realista de publicação séria (algumas humanidades e disciplinas pequenas), exigir Q1 produz distorção do que constitui produção legítima.