Definição estendida
PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses) é a diretriz internacional padrão para reporting de revisões sistemáticas e meta-análises. Substituiu a diretriz QUOROM (1999); a primeira versão de PRISMA foi publicada em 2009 (Liberati et al., PLoS Medicine / BMJ) e a versão atual é PRISMA 2020 (Page et al., 2021, BMJ). A diretriz consiste em checklist de 27 itens distribuídos em sete seções (título, resumo, introdução, métodos, resultados, discussão, outras informações), mais o diagrama de fluxo PRISMA que documenta o processo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão de estudos. PRISMA 2020 expandiu cobertura para incluir busca não-tradicional (citações, contato com autores, registros de ensaios), reporting transparente de versões do protocolo, e itens sobre certeza da evidência (GRADE). Existem extensões oficiais para casos específicos: PRISMA-ScR (scoping review), PRISMA-NMA (network meta-analysis), PRISMA-IPD (individual patient data), PRISMA-DTA (diagnostic test accuracy), PRISMA-Equity, PRISMA-Children, PRISMA-Search.
Quando se aplica
PRISMA aplica-se a qualquer revisão sistemática ou meta-análise submetida a periódico em saúde — exigência efetiva de praticamente todos os Q1/Q2 desde 2010. Aplica-se em outras áreas (ciências sociais, educação, ciências ambientais, engenharia de software) com adoção crescente, especialmente nas extensões aplicáveis. Aplica-se em propostas de revisão sistemática para registro em PROSPERO ou OSF — protocolo deve seguir PRISMA-P (Protocols). Aplica-se em treinamento metodológico: PRISMA é estrutura organizadora padrão em cursos de revisão sistemática. ICMJE recomenda PRISMA explicitamente como diretriz de reporting.
Quando NÃO se aplica
PRISMA é diretriz de reporting, não protocolo de condução — não se aplica como receita metodológica para conduzir revisão. Para condução, Cochrane Handbook (saúde) ou guidelines específicas por área são apropriados. PRISMA padrão não se aplica diretamente a tipos de revisão fora de revisão sistemática + meta-análise — extensões oficiais cobrem casos específicos (scoping review usa PRISMA-ScR). Não se aplica em revisão narrativa, ensaio teórico, ou levantamento bibliográfico em introdução de tese. Não se aplica como certificado de qualidade automaticamente — seguir a checklist tecnicamente sem rigor metodológico real produz revisão “PRISMA-compliant” mas substantivamente fraca.
Aplicações por área
— Saúde: padrão obrigatório em Cochrane, BMJ, JAMA, Lancet, NEJM e Q1/Q2 da área; PRISMA 2020 substituiu PRISMA 2009 em adoção rápida. — Educação: EPPI-Centre adota PRISMA com adaptações; revistas top-tier de pesquisa educacional exigem. — Engenharia de software: Kitchenham guidelines são complementadas por PRISMA quando submissão é a periódico interdisciplinar. — Saúde pública e políticas: PRISMA-Equity como extensão para análises com foco em equidade.
Armadilhas comuns
A primeira armadilha é tratar PRISMA como checklist administrativa após a revisão estar pronta — PRISMA bem-aplicado guia o reporting durante o processo, não retroativamente. A segunda é confundir PRISMA com PRISMA-P (Protocols) — primeiro é para reporting do estudo final; segundo para registro do protocolo. A terceira é diagrama de fluxo incompleto: indicar números em cada etapa (identificados, triados, excluídos com razão, incluídos) é exigência específica e auditável. A quarta é não usar a extensão apropriada para o tipo de revisão: usar PRISMA padrão em scoping review em vez de PRISMA-ScR confunde leitor sobre escopo e expectativas. A quinta é PRISMA sem pré-registro do protocolo: PROSPERO ou OSF antes da busca é prática padrão moderna; sem isso, a revisão tem credibilidade reduzida mesmo “PRISMA-compliant”.