Definição estendida
DOI (Digital Object Identifier) é um identificador persistente, único e legível por máquina atribuído a objetos digitais — artigos científicos, capítulos de livro, datasets, preprints, software, relatórios técnicos, monografias. Definido pelo padrão internacional ISO 26324 e administrado pela International DOI Foundation, o sistema garante que um objeto registrado mantenha referência estável mesmo se hospedeiros, URLs ou editores mudarem ao longo do tempo. Cada DOI é estruturalmente composto por um prefixo (atribuído ao registrante — tipicamente um editor, repositório ou agência) e um sufixo (escolhido pelo registrante para identificar o objeto específico), separados por barra. Resolução acontece via https://doi.org/{prefixo}/{sufixo}, redirecionando o navegador para a URL atual do objeto. As principais agências registradoras incluem Crossref (artigos acadêmicos), DataCite (datasets), mEDRA (publicações italianas e europeias), Airiti (Ásia oriental) e a Multilingual European DOI Registration Agency.
Quando se aplica
DOI é apropriado e crescentemente exigido sempre que um objeto científico precisa de citação estável. Para artigos em periódicos indexados, atribuição de DOI é praticamente automática via Crossref. Para datasets, o repositório que hospeda (Zenodo, Figshare, Dryad, OSF) atribui DOI no momento do depósito. Para preprints, arXiv e bioRxiv atribuem DOIs próprios. Pesquisadores devem incluir DOI em todas as referências bibliográficas onde disponível, e devem registrar DOI para qualquer saída de pesquisa que pretendam tornar citável (incluindo software, protocolos e materiais suplementares).
Quando NÃO se aplica
DOI não é necessário para conteúdo efêmero (posts em redes sociais, páginas web em geral) nem para comunicação informal entre pesquisadores. Não substitui ORCID — DOI identifica objetos, ORCID identifica pessoas. Não confere garantia de qualidade: revistas predatórias também atribuem DOI, e a presença do identificador não implica revisão por pares séria. Para citar páginas web de instituições oficiais sem DOI, a prática editorial padrão é usar URL com data de acesso, não fabricar identificador alternativo.
Aplicações por área
— Submissão de manuscritos: todas as referências citáveis devem incluir DOI quando disponível, exigência crescente em periódicos indexados. — Repositórios de dados: Zenodo, Figshare, OSF, Dryad atribuem DOI no momento do depósito; vinculação ao ORCID do depositante é prática padrão. — Software acadêmico: GitHub repositórios podem ser depositados em Zenodo para receber DOI citável de cada versão (release). — Preprints e literatura cinzenta: arXiv, bioRxiv, SSRN, EngrXiv atribuem DOI próprio, separado do DOI da versão final publicada.
Armadilhas comuns
A primeira armadilha é confundir DOI com URL — DOI é o identificador permanente; a URL pode mudar, mas o DOI continua resolvendo para o local correto. Citação acadêmica deve usar DOI, não URL específica de editor. A segunda é assumir que presença de DOI implica qualidade editorial — revistas predatórias com DOIs operam dentro do sistema sem qualquer garantia de revisão séria. A terceira é não atribuir DOI a saídas próprias quando possível: dataset sem DOI é praticamente invisível em bibliometria moderna. A quarta é usar URL https://dx.doi.org/... (formato antigo) quando o canônico é https://doi.org/... desde 2015. A quinta é confundir DOI do preprint com DOI da versão publicada — são entidades distintas, e citações devem privilegiar a versão final quando disponível.