ESCRITA E PUBLICAÇÃO

Errata e corrigenda

Instrumentos editoriais para corrigir erros em artigo publicado, preservando os achados. Errata: erro do periódico (composição, figura, tipografia). Corrigenda: erro do autor (cálculo, atribuição, dado). Distintos da retratação, que remove confiabilidade integral.

Definição estendida

Errata e corrigenda são instrumentos editoriais usados para corrigir erros em artigos já publicados, preservando os achados centrais como ainda confiáveis. Convenção predominante distingue: errata (do latim erratum, plural errata) refere-se a erros introduzidos pela editoria — erros de composição tipográfica, troca de figuras, números de página incorretos, atribuição de afiliação errada por erro de produção; corrigenda (do latim corrigendum, plural corrigenda) refere-se a correções de erros dos autores — cálculo errado em tabela, valor de p-valor incorreto, citação atribuída a fonte errada, descrição imprecisa de método. Na prática editorial moderna, os termos são frequentemente usados de forma intercambiável; a distinção rigorosa varia por periódico. ICMJE Recommendations (versão 2024) e fluxograma COPE oferecem o protocolo padrão. Distinção crítica em relação a retratação: errata/corrigenda preservam integridade dos achados centrais — apenas detalhes específicos são corrigidos; retratação é apropriada quando os achados em si não são mais confiáveis. Hosseini et al. (2018, Science and Engineering Ethics) investigaram caso onde retratação por erro honesto foi adequada e ofereceram critérios práticos. Errata e corrigenda recebem DOI próprio, são listadas no histórico do artigo e em PubMed/Scopus.

Quando se aplica

Errata aplica-se quando o erro é claramente atribuível ao processo editorial: figura errada por troca em produção, legenda fora de lugar, palavra em formato itálico onde deveria ser regular, atribuição de afiliação trocada entre coautores. Corrigenda aplica-se quando o erro é dos autores mas localizado e não invalida conclusões: cálculo aritmético em tabela secundária com correção que não muda significância, valor numérico de IC reportado erroneamente sem afetar interpretação, citação incorreta a outro trabalho. Aplica-se quando autores próprios identificam erro e o reportam ao editor — prática responsável encorajada por COPE. Aplica-se quando leitor reporta erro identificado e investigação editorial confirma. Aplica-se em curtos prazos quando possível: errata/corrigenda atrasada propaga citações ao texto incorreto.

Quando NÃO se aplica

Errata/corrigenda não se aplica quando o erro afeta confiabilidade integral dos achados — nesse caso, retratação é o instrumento adequado. Não se aplica quando há suspeita de má conduta (fabricação, falsificação, plágio): COPE flowchart específico para investigação se aplica primeiro. Não se aplica como veículo para autocrítica geral ou rediscussão de interpretação: discordância intelectual posterior é tratada por novos artigos, não correção. Não se aplica quando mudanças são tão extensas que reescrevem partes substantivas do artigo — republicação como nova versão é alternativa em alguns casos. Não substitui ICMJE-compliance: retratações por más conduta exigem protocolo distinto, não correção cosmética.

Aplicações por área

Saúde e biomédicas: ICMJE define padrão; PubMed integra errata ao registro do artigo automaticamente; Cochrane usa corrigenda em revisões sistemáticas atualizadas. — Computação e engenharias: IEEE Xplore, ACM Digital Library marcam errata em listagem; conferências ocasionalmente publicam errata em proceedings posteriores. — Ciências sociais: APA Style guide cobre formato de errata; periódicos usam estrutura similar à de saúde. — Humanidades: errata historicamente comum em livros; em periódicos, menor frequência mas mesma estrutura editorial.

Armadilhas comuns

A primeira armadilha é não publicar errata/corrigenda quando erro é detectado: omitir corrige a qualidade do trabalho — autores responsáveis e periódicos sérios reconhecem, não escondem. A segunda é confundir com retratação: errata preserva confiabilidade; retratação remove. Decisão entre os dois exige avaliação substantiva do impacto do erro. A terceira é resistir a publicar correção de autocrítica por percepção de que prejudica carreira: literatura mostra (Hosseini et al. 2018) que correção honesta tem efeito positivo em reputação de longo prazo. A quarta é não cruzar correção com versões depositadas em preprint (arXiv, bioRxiv): preprint precisa ser atualizado em paralelo. A quinta é confundir errata com nota editorial ou comentário: erratas são correções factuais; comentários são debate intelectual — instrumentos distintos com função distinta.

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